Economia pós-COVID: vale a pena internacionalizar sua empresa agora? Veja os setores em alta.

Os impactos da pandemia de COVID-19 na economia brasileira têm causado dor de cabeça para muitas empresas. O mercado interno está retraído e as previsões e expectativas futuras não são nada boas. Mas você já pensou em aproveitar esse contexto à favor da internacionalização da sua empresa? Nesse artigo, vamos te mostrar algumas alternativas para o comércio exterior brasileiro nesse período de crise, bem como os setores em alta.


Para facilitar a organização, dividimos o texto nos seguintes tópicos:


1. Por que internacionalizar sua empresa agora?

  • Alternativa à retração do mercado interno

  • Incentivos fiscais

  • Flexibilização da Legislação Sanitária

2. Setores em alta

  • Agronegócio

  • Softwares Corporativos

  • E-commerce e Marketing Digital

  • Inteligência Artificial


1. Por que fazer a internacionalização da sua empresa agora?

Internacionalizar uma empresa é expandir sua participação ativa para mercados externos. A atividade exportadora, ou seja, adentrar em um novo mercado não nacional e competir com outras empresas estrangeiras, é desafiadora, mas pode ajudar a reduzir os riscos do mercado interno, manter bons preços e obter lucros favoráveis. A importação, por outro lado, dá acesso a matérias-primas e bens de produção não disponíveis no mercado interno, trazendo vantagens competitivas ao seu negócio.


Alternativa à retração do mercado interno


No contexto atual de pandemia do novo coronavírus, podemos notar um enfraquecimento da economia brasileira, tanto em âmbito interno, quanto externo. O consequente e necessário isolamento social como medida preventiva contra o contágio do vírus, somado à desvalorização do real frente ao dólar norte-americano, atingiram determinados produtos e setores de forma a retrair o volume interno do comércio. Entretanto, para aqueles com capacidade produtiva suficiente, o mercado internacional pode representar uma oportunidade única para recuperação.


Ao passo que alguns países já enfrentaram o pico do contágio do novo coronavírus em seus territórios e começam a retornar do isolamento absoluto, temos um mercado internacional amplamente modificado pelas novas demandas surgidas nesse período. Novos padrões de consumo e produtos despontaram com importante crescimento na demanda, oferecendo a chance para a internacionalização de várias empresas.


Isso não se aplica apenas a produtos farmacêuticos ou de uso hospitalar, como pode parecer, pois outras áreas completamente diferentes, como os mercados de Softwares Corporativos e Marketing Digital, possuem ótimas perspectivas de crescimento. Ademais, a desvalorização do real permite uma maior competitividade dos produtos brasileiros no exterior, proporcionando, assim, uma chance para os empreendedores brasileiros reerguerem-se até o mercado interno se estabilizar novamente.


Incentivos fiscais


Com objetivo de auxiliar empresas afetadas pela pandemia e, também, de facilitar a importação de produtos médico-hospitalares para o combate à COVID-19, o Ministério da Economia, por meio da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), tem adotado medidas como a publicação da MP 958/2020, do final de abril, que facilita o acesso ao crédito durante a pandemia. A medida é válida até o dia 30 de setembro desse ano e dispensa os bancos do cumprimento de certas obrigações para renovação e concessão de empréstimos.


Entre essas facilitações, destacam-se:

  • A não necessidade de comprovação do recolhimento do Imposto Territorial Rural (IRT), antes exigido comprovante correspondente aos cinco últimos anos;

  • Os bancos não precisam consultar previamente o Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal) para concessão de crédito que envolva recursos públicos;

  • Os bancos podem realizar operações a pessoas jurídicas devedoras do FGTS;

  • As empresas não precisarão apresentar a CND (Certidão Negativa de Débito) ao tomar empréstimos, ao assinar contrato com o poder público e ao receber benefícios ou incentivos fiscais do mesmo.

Além disso, desde março a resolução CAMEX nº 17/2020 prevê a redução temporária da alíquota do Imposto de Importação a zero para produtos de uso médico e hospitalar, dentre eles o álcool etílico com teor alcoólico igual ou superior a 70%, máscaras e luvas. Também de março, o Decreto nº 10.285 reduziu a 0% a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre produtos de saneamento e relacionados à saúde, até 30/09/2020.



Flexibilização da legislação sanitária

Visando combater a propagação do vírus, medidas relacionadas à legislação sanitária têm visado flexibilizar a burocracia e facilitar o despacho aduaneiro de produtos de uso médico-hospitalar, tais como luvas, máscaras de proteção e álcool etílico de teor 70%. Assim, a Instrução Normativa RFB nº 1.927/2020 permite a entrega de produtos de combate à pandemia ao importador antes mesmo de se concluir a conferência aduaneira, além de garantir prioridade no despacho desses itens.


Já a Portaria SECEX nº 18, do dia 20/03/2020, suspende, pelo tempo de duração do estado de emergência internacional, a exigência da Licença de Importação para produtos sujeitos à determinação de direitos antidumping. No mesmo sentido, a Resolução CAMEX nº 23/20 suspende até 30/09/2020 a exigência dos direitos antidumping que infligem importações de produtos de uso médico, como seringas descartáveis e tubos de coleta de sangue.


2. Setores com mais oportunidades

Agronegócio


O agronegócio é o setor que tem apresentado os melhores resultados nas exportações brasileiras. São vários os fatores que levam a isso. Em 2019/2020, tivemos uma supersafra de soja e em março/2020, mês marcado pelo pico das exportações de soja e carne para a Ásia, a produção foi 37,6% maior que em março/2019. Além disso, o aumento do dólar causado pela crise do coronavírus torna as exportações muito vantajosas para o Brasil, pois o valor em real recebido por mercadorias vendidas em dólar aumenta muito. Ainda, a crise sanitária causada pela COVID-19 nos Estados Unidos prejudicou muito a produção de soja do país, beneficiando a economia brasileira.


Diante disso, pode-se dizer que o aumento da demanda global de alimentos caiu como uma luva para o Brasil, que consolida-se como um dos líderes mundiais na exportação de soja e derivados e carne (bovina, suína e frango). Conforme dados do Ministério da Economia, de janeiro a abril, as exportações brasileiras somaram US$ 67.3 bilhões, sendo US$ 13 bilhões de soja e derivados, US$ 2 bilhões de carne bovina e US$ 1.9 bilhões de carne de frango. Ou seja, nossos principais produtos do agronegócios geraram aproximadamente 25% do total das exportações no período.


O Brasil é um dos líderes mundiais da produção de soja. (Fonte: Unsplash | Jed Owen)


Os principais compradores dos produtos agrícolas brasileiros estão na Ásia, especialmente nos países mais povoados, como China, Hong Kong e Japão. Após o início da crise sanitária, especialmente em março, houve um aumento significativo da demanda por carne e soja nesses países, uma vez que muitos deles sofrem com a pandemia de COVID-19. Conforme alguns economistas, esse aumento do fluxo do comércio para a Ásia é uma das principais razões para os bons números da balança comercial brasileira. Assim, o PIB agrícola deve subir até 2,48% em 2020, reduzindo os impactos negativos do coronavírus sobre o total do PIB brasileiro.


Além dos países asiáticos, alguns países árabes procuraram o Brasil, preocupados com um possível desabastecimento em função da pandemia de coronavírus. Segundo a ministra Tereza Cristina,

diante do atual cenário, algumas medidas sanitárias, que muitas vezes tornam os processos mais demorados ou eram usadas até como barreiras comerciais, estão sendo deixadas para trás.

O Egito habilitou mais 42 frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina e de frango (15 desses de carne bovina e 27 de aves). Já o Marrocos e os Emirados Árabes passaram a importar material genético de aves (como ovos férteis), e o Kuwait abriu sua economia para a carne bovina brasileira.

Softwares corporativos

Devido às medidas de isolamento social, a tecnologia tornou-se uma grande aliada das empresas no mundo todo. O mercado de softwares corporativos para gerenciamento de equipes, videoconferências e trabalho à distância teve um boom. Ferramentas já conhecidas, como Microsoft Teams, Slack, Zoom, Hangouts e WhatsApp se transformaram para atender a essa nova demanda e outras ferramentas menos conhecidas estão ganhando espaço no mercado, como uma alternativa ao isolamento social.

Muitas startups brasileiras estão se destacando nesse mercado de softwares corporativos, tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Por exemplo, a Deskfy, plataforma de gerenciamento de marca, foi criada há pouco mais de 2 anos em Porto Alegre e já está começando o processo de internacionalização para Canadá e Estados Unidos. A Rocket Chat, plataforma de comunicação e videoconferências para trabalho remoto de código aberto, já nasceu como uma startup internacional e hoje 98% dos seus clientes são internacionais.

Interface da Rocket Chat, startup brasileira que apresenta-se como uma alternativa ao Slack (fonte: TecnoBlog)


Nesse cenário, empresas com soluções inovadoras e bem estruturadas têm um grande mercado a explorar. Por exemplo, parte das operações do Twitter agora serão permanentemente feitas por meio de home office e outras empresas digitais já manifestaram a mesma tendência. Trata-se de uma mudança na cultura de trabalho das empresas, e o mercado de softwares é a base disso.


E-commerce e Marketing Digital


Outra consequência das medidas de isolamento social é que a transformação digital das empresas deixou de ser uma opção. Pequenas e médias empresas precisam se reinventar para manter seus negócios e estão buscando agências e profissionais de marketing digital para produzir conteúdo (em blogs e redes sociais), fazer anúncios no Google Ads, Instagram e Facebook e gerenciar mídias sociais.


Além disso, houve uma grande demanda por soluções de e-commerce e reestruturação das vendas por canais digitais durante a quarentena. Segundo a ABCOMM (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), na primeira quinzena de março, algumas lojas registraram crescimento de 180% no volume de vendas online de produtos relacionados a alimentos e saúde, e cerca de 30% para produtos de outras categorias.


Evolução do número de buscas pelos termos "iFood" e "delivery" de janeiro a junho no Brasil (Fonte: Google Trends).


Nesses casos, a internacionalização pode ser uma grande oportunidade. Vale a pena investir no marketing digital com conteúdos em diferentes línguas, como sites com opção de textos tanto em português, quanto inglês ou espanhol. Além disso, também é interessante pensar em estratégias de marketing internacional, analisando o público-alvo, possíveis adaptações do produto, canais de venda, revisão dos preços e táticas promocionais.

Inteligência Artificial


Além dos softwares corporativos, muitas startups brasileiras que usam inteligência artificial para melhorar processos industriais e agrícolas têm se destacado no mercado externo. Esse é o caso da Griaule, que fornece sistemas de identificação e certificação de dados biométricos para o Departamento de Segurança Pública do Arizona e para o Departamento de Defesa dos EUA.

Já a I.Systems é líder na implantação de Inteligência Artificial em processos industriais, está ajudando a aumentar a eficiência das linhas de produção da AB Inbev, holding da Ambev, com o Flowe, um serviço baseado em machine learning. Por fim, a AgroSmart, plataforma de manejo integrado de pragas e monitoramento de lavouras em tempo real, tem clientes no México, Guatemala, Peru, Honduras Colômbia e Israel e, recentemente, instalou uma subsidiária nos Estados Unidos.


Nosso objetivo aqui é demonstrar que, mesmo com a economia em crise, a internacionalização da sua empresa é uma alternativa viável. Há muitas oportunidades de negócio, como nos setores do Agronegócio, Softwares Corporativos, E-Commerce, Marketing Digital e Inteligência Artificial, desde que saibamos aproveitar essas chances.


Se você se identificou com alguma das oportunidades descritas nesse artigo, entre em contato com a Atlântica ou a F5 Jr e agende uma reunião gratuitamente. Podemos desenvolver o plano de internacionalização ideal para o seu negócio.


Artigo produzido em conjunto pela F5 Jr Consultoria Internacional e Atlântica Consultoria Internacional.


Autoria e edição:

Atlântica Consultoria Internacional

Avenida João Pessoa, 52,

Porto Alegre - RS, 90040-000, Brasil

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