Você já sabe as tendências do Comércio Internacional em 2021?

Quais são as tendências do comércio internacional em 2021? Como se preparar para o mundo pós-pandemia? Neste artigo respondemos a essas perguntas.



A vida no contexto pós pandemia não vai ser a mesma que era antes dela. Isso porque 2020 deu início a um ciclo de mudanças que serão perpetuadas. Nesse sentido, assim como a forma de trabalhar não vai voltar a ser como era antes, o comércio internacional também não. Sabemos que tal afirmação pode causar inseguranças, e por isso te mostraremos, ao longo deste artigo, exatamente onde você está pisando.


Continue lendo este artigo e veja as tendências do comércio internacional para 2021 analisadas pela Atlântica Consultoria Internacional! Começaremos este artigo ponderando o que 2020 nos trouxe de mudanças e aprendizados. Em seguida, averiguaremos quais os aspectos desse último ano se manterão em 2021 e quais oportunidades podemos extrair disso.



Brainstorming over paper, por Scott Graham




Para entendermos melhor o que nos aguarda o futuro do comércio internacional, este artigo foi separado em 3 principais tópicos:

  1. 2020 e o poder da adaptação.

  2. Contexto internacional - quais são os assuntos que seguirão rondando o comércio internacional?

  3. Uma oportunidade às commodities: O Brasil pode encontrar vantagens no comércio internacional em 2021?



1. 2020 e o poder da adaptação

O ano de 2020 foi um ano atípico que pegou as pessoas e empresas desprevenidas, impactando direta e indiretamente em nosso cotidiano. Desde a forma como nos relacionamos até às dinâmicas do comércio internacional, as mudanças trouxeram consequências, por exemplo, 95% da oferta de transporte aéreo foi reduzida, seu valor esteve muito oscilante e houve o aumento dos fretes de transporte internacional, além de uma alta no preço dos containers.


Apesar desta nova era ter gerado medo e insegurança, surgiu diante disso a necessidade das empresas se adaptarem ao novo cenário, afinal, é em meio ao caos que somos forçados a encontrar novas formas de crescimento, e com ele vem o aprendizado. Diante desse panorama, pode-se afirmar que o principal aprendizado que fica é a essencial capacidade de adaptação para reconhecer as mudanças que ocorreram e se ajustar ao novo ambiente a partir da mudança e da inovação.



Staring out building windows, por Alex Knight




2. Contexto internacional - quais são os assuntos que seguirão rondando o comércio internacional?

É preciso estar preparado para este ano. Saber o que está acontecendo na economia internacional é fundamental para que possamos gerir nossos negócios da maneira mais adequada possível! Nesta seção, você vai ficar por dentro do que esperar no comércio internacional no ano de 2021.



A saída da Inglaterra da União Europeia (Brexit) é um fenômeno a ser analisado no ano de 2021. O Tratado da União Europeia prevê vantagens e subsídios para países produtores e exportadores de commodities do bloco. Estando a Inglaterra fora, essas vantagens desaparecem, tornando o mercado brasileiro mais competitivo no mercado inglês. Em suma, o Brasil, grande produtor e exportador de commodities, pode encontrar no Reino Unido uma oportunidade. Além disso, as empresas brasileiras possuem maior poder de barganha ao negociarem com a Inglaterra, pois as negociações ocorrem de parceiro para parceiro, e não de parceiro para conjunto de parceiros (tal como é ao se negociar com a União Europeia).


Outro assunto importantíssimo no comércio internacional é a Guerra Comercial entre China e Estados Unidos. Ambos países são, respectivamente, o maior e o segundo maior parceiros comerciais do Brasil. Estar no meio dessa polaridade pode ser um problema aos negócios nacionais, haja vista que a Guerra Comercial provoca uma desaceleração na economia global. Sob a presidência de Joe Biden, o tom do conflito é, sem dúvidas, menos agressivo. Contudo, a tensão continua alta. Ambos os países continuam comercialmente dependentes, a diferença é que agora Biden busca a autonomia em setores estratégicos da indústria, como a indústria militar, de equipamentos sanitários e de tecnologia. Os Estados Unidos assumem uma postura mais protecionista e buscarão aplicar o plano Made In America, de Biden, que tem como objetivo restabelecer a indústria nacional.


Aliás, o protecionismo é um assunto em alta em 2021. A pandemia tornou evidente que o mundo está economicamente muito conectado. Hoje, um produto consumido no Brasil possui a matéria-prima coletada na Argélia, peças fabricadas na China e o produto final é montado em Singapura, sendo que a empresa é estadunidense! A esse processo chamamos de Supply Chain, ou seja, a cadeia de produção global. Cada vez mais países e empresas estão conscientes de sua conexão com o internacional. Em contrapartida, os governos estão mais céticos quanto à sua dependência produtiva de demais nações e buscam medidas protecionistas e nacionalistas, como aconteceu nesta pandemia, para mitigar suas consequências. Entretanto, é impossível escapar da tendência à internacionalização da economia mundial. O mundo é cada vez mais globalizado e interdependente. Uma empresa que se internacionaliza e se insere na cadeia global de produção (Supply Chain) é uma empresa preparada para o futuro.


A Organização Mundial do Comércio (OMC), instituição responsável por controlar e regular o comércio internacional, está sob nova liderança. Neste ano, a Drª Ngozi Okonjo-Iweala é a nova presidente. Essa é uma mudança na qual o empresariado brasileiro deve ficar de olho! Nos últimos anos, a OMC se demonstrou pouco ativa, o que fragilizou as relações comerciais internacionais. A nova presidente assume a instituição prometendo torná-la novamente forte, garantindo que as relações comerciais internacionais sejam justas, protegendo a livre movimentação internacional de bens e de capital e garantindo o acesso ao livre mercado. No ano de 2021 entra em vigor o Acordo de Facilitação de Comércio (para saber mais, confira as redes sociais da Atlântica), iniciativa protagonizada pela OMC que promete simplificar a burocracia de importação e exportação, tornando o processo mais fácil. Com Okonjo-Iweala podemos esperar mais iniciativas da organização mundial do comércio frente a uma economia internacional mais forte e globalizada.




A nova presidente da OMC, Drª Ngozi Okonjo-Iweala. Foto: Jay Louvion/OMC.




No entanto, é preciso ter em mente que a economia global está caminhando devagar. Apesar de estarmos novamente nos recuperando da crise econômica causada pela pandemia, levará até 2022 para que voltemos ao nível de economia no qual estávamos antes da crise. Infelizmente, é com esse cenário que teremos que enfrentar 2021. Apesar disso, as expectativas para o Brasil, grande exportador de commodities, são altas!



3. Uma oportunidade às commodities: O Brasil pode encontrar vantagens no comércio internacional em 2021?



Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.




O ano de 2021 para o comércio exterior brasileiro começou com uma bomba: a saída da montadora da Ford do país! Apesar de isso ser, sem sombras de dúvidas, um problema para a economia brasileira, o ocorrido evidenciou a globalização e internacionalização da economia. Empresas internacionalizadas não hesitam em buscar as melhores oportunidades ao redor do globo e sabem tirar proveito da dinâmica da economia global.


Mesmo com essa bomba, as expectativas e análises para o comércio exterior brasileiro são altas. Prevê-se que a partir dos meses de abril ou junho haverá um crescimento no comércio internacional. Isso é consequência da progressiva volta da economia aos seus padrões pré-pandemia. Gradualmente vemos que o volume de produtos comercializados internacionalmente vem aumentando, apesar de, ainda assim, ser muito tímido. Os padrões de economia pré-pandemia, como supracitado, serão alcançados somente em 2022.


Além disso, outro fenômeno que facilitará muito o comércio exterior brasileiro é a aplicação do Acordo de Facilitação do Comércio, que no Brasil criou o Documento Único de Importação (DUIMP), que facilita os processos de importação e exportação. Por conta disso, é menos custoso e menos trabalhoso para internacionalizar-se. Outro ponto é que a crise da pandemia gerou um excesso de demanda global enquanto reduziu a oferta. Com isso, o momento é propício para lançar-se ao comércio internacional e se expor como a oferta que o mundo precisa. É a hora de explorar mercados promissores e encontrar novos clientes. Ainda, podemos citar que as empresas que melhor lidam com a pandemia são justamente aquelas que são internacionalizadas. Por atuarem em mais de um mercado, suas chances de falirem reduzem drasticamente. Aliás, mais mercados é igual a mais clientes.



Conclusão


Depois de toda tempestade vem a calmaria. Depois de toda crise econômica vem o crescimento econômico. No caso da trágica pandemia do COVID-19 não é diferente! Haverá novamente o crescimento econômico e recursos para que possamos desenvolver-nos em nossas empresas. E, caso sua empresa já esteja internacionalizada, esse crescimento será maior ainda. Portanto, agora é a hora de botar no papel o planejamento para atuar internacionalmente.


Surgirão ótimas oportunidades no cenário pós-pandemia e é bom que você não fique de fora! Quer fazer um planejamento eficiente para se internacionalizar e aproveitar o boom pós-pandemia? Entre em contato com a Atlântica, podemos te ajudar!



Autores: Pedro Longo e Andrei Francioni Kuhn.

Colaboradora: Professora Dr. Jacqueline Haffner, Professora Associada do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS

Edição: Giulia de Oliveira Moraes.